Amar antes
Que a dúvida
Que a vida
Ávida
Escorra
Como única
Gota
De uma maré
Mansinha.
O mar é morto
A maré
Vinda.
SONATA INSONE
O prelúdio é o abre-alas da fantasia. Disfarçada, desfilo cara e coragem na avenida marginal do meu medo. Logo ali, onde eu existo.
terça-feira, 22 de maio de 2012
POEMA PRETERIDO
E se eu te escrever
Um poema
Que não for teu
Mas capaz de restaurar
O silêncio que exalta
Nossas memórias ressequidas?
E se eu for capaz de te amar
Mas nunca mais
Capaz de te escrever
Poesia alguma?
Como fica?
Um poema
Que não for teu
Mas capaz de restaurar
O silêncio que exalta
Nossas memórias ressequidas?
E se eu for capaz de te amar
Mas nunca mais
Capaz de te escrever
Poesia alguma?
Como fica?
quinta-feira, 17 de maio de 2012
FATAL
O vazio
De tantos corpos
- Inelegíveis -
Ao acaso...
Qualquer que seja
A desventura
Eu pairo olhos
A disparar sinos de vento.
Eu busco
- A contento -
Um pouco do pão
Em divino código
Sirvo-me da sangria
Vitrificada na espera
E no desamparo.
Dos teus medos
Eu sou a deusa
Que era
Eu sou o fato.
De tantos corpos
- Inelegíveis -
Ao acaso...
Qualquer que seja
A desventura
Eu pairo olhos
A disparar sinos de vento.
Eu busco
- A contento -
Um pouco do pão
Em divino código
Sirvo-me da sangria
Vitrificada na espera
E no desamparo.
Dos teus medos
Eu sou a deusa
Que era
Eu sou o fato.
terça-feira, 15 de maio de 2012
POEMA ELÍPTICO
Dormes
E respiras como se fosses tragar o universo
Dos meus lábios
Em paralelo.
Em um nó cego
Estabelecem-se rotas mágicas
Em minha cabeça o Big Bang detona antigas galáxias
E evapora-se em partículas de outro estado.
E é tudo tão irrepreensivel.
Teu cheiro, novo acorde a despertar o corpo inteiro,
E eu, de cara lavada, me pego a zelar por teu sono em meu tinteiro...
Em pensar que de tanto me despistar de tua órbita
Calhei de atravessar o lume que só sossega em rota de colisão.
Pés no chão, terra, estou em casa
E, quando me abraças, me vem aquela máxima do Cazuza...
Se te dou espaços, a minha porta é serventia da rua
Só pra te trilhar pra mim
Pedrinhas encantadas a fosforescer cada esquina escura
Elipse é o ato de devolver
Face a face
- Sou tua -
A sóis,
A lua vem, então, revelar-se...
Volúpia.
E respiras como se fosses tragar o universo
Dos meus lábios
Em paralelo.
Em um nó cego
Estabelecem-se rotas mágicas
Em minha cabeça o Big Bang detona antigas galáxias
E evapora-se em partículas de outro estado.
E é tudo tão irrepreensivel.
Teu cheiro, novo acorde a despertar o corpo inteiro,
E eu, de cara lavada, me pego a zelar por teu sono em meu tinteiro...
Em pensar que de tanto me despistar de tua órbita
Calhei de atravessar o lume que só sossega em rota de colisão.
Pés no chão, terra, estou em casa
E, quando me abraças, me vem aquela máxima do Cazuza...
Se te dou espaços, a minha porta é serventia da rua
Só pra te trilhar pra mim
Pedrinhas encantadas a fosforescer cada esquina escura
Elipse é o ato de devolver
Face a face
- Sou tua -
A sóis,
A lua vem, então, revelar-se...
Volúpia.
terça-feira, 1 de maio de 2012
AOS RECÉM-AVENTURADOS
De tudo, ao meu amor serei atento antes,
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
Há ocasiões que incitam o poeta que há em cada um de nós, que despertam tal olhar, ainda que escondido sob esferas quase cegas de racionalidade. Esta a qual somos instruídos a evocar diante do arrebatamento que precede a inspiração, para ao invés de dizer o que sentimos, optar por externar o que é adequado, o que é convencional e comumente, o que fará pouca ou nenhuma diferença para quem diz ou para quem ouve. É neste instante que a palavra perde a força, não salva-guarda sentimento, porta apenas burocrática, o sentido.
E é no ínterim do permitir-se observar (que não devemos confundir com o reparar), que surge a matéria-prima mais primordial mesmo da poesia, a simplicidade que legitima as palavras de um poeta, as que surgem de seu “fingimento sincero” ao apropriar-se da expressão divina encarnada no olhar do outro, no abandono absorto presente nos olhos de dois enamorados ou quiçá, desiludidos.
Não roguemos ao amor um prólogo que não lhe compete. Amor é produto, é construção mais voluntária do que voluntariosa, é doação ao credo já agradecido pelo simples fato de conceber o inexato gosto do futuro. Inexato porque abdicamos de suas bases no pronto instante de cada nova promessa.
Amor não é fortuna, tão pouco sucata furtada (ou fortuita) de desejo, Amor é um sempre vindouro logradouro da imprecisão, mas não muito além do que se precisa.
Mas mais ainda, o Amor é tudo o que ainda não é, pelo singelo direito que nós dá de vir a ser.
E o que advir dele já é amanhã,
Ainda,
Mas tanto!
E além!
Só,
Isso tudo
E apenas o começo!
Que venham os anos, os brindes e o desassossego constante da busca. E acima dela e de todo o resto, que permaneça a máxima do durante, do entremeio que justificará o finito dito tempo, embalado na eterna atemporalidade dos que por amor e apenas nele, ressurgem descritos em cada ato contínuo e simples da vida,
Para o bem subentendido,
Para além da palavra.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Amor é ventura contínua.
( Aos recém-casados. Em itálico, abrindo e fechando a reflexão, “Soneto da Fidelidade”, de Vinícius de Moraes)
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
Há ocasiões que incitam o poeta que há em cada um de nós, que despertam tal olhar, ainda que escondido sob esferas quase cegas de racionalidade. Esta a qual somos instruídos a evocar diante do arrebatamento que precede a inspiração, para ao invés de dizer o que sentimos, optar por externar o que é adequado, o que é convencional e comumente, o que fará pouca ou nenhuma diferença para quem diz ou para quem ouve. É neste instante que a palavra perde a força, não salva-guarda sentimento, porta apenas burocrática, o sentido.
E é no ínterim do permitir-se observar (que não devemos confundir com o reparar), que surge a matéria-prima mais primordial mesmo da poesia, a simplicidade que legitima as palavras de um poeta, as que surgem de seu “fingimento sincero” ao apropriar-se da expressão divina encarnada no olhar do outro, no abandono absorto presente nos olhos de dois enamorados ou quiçá, desiludidos.
Não roguemos ao amor um prólogo que não lhe compete. Amor é produto, é construção mais voluntária do que voluntariosa, é doação ao credo já agradecido pelo simples fato de conceber o inexato gosto do futuro. Inexato porque abdicamos de suas bases no pronto instante de cada nova promessa.
Amor não é fortuna, tão pouco sucata furtada (ou fortuita) de desejo, Amor é um sempre vindouro logradouro da imprecisão, mas não muito além do que se precisa.
Mas mais ainda, o Amor é tudo o que ainda não é, pelo singelo direito que nós dá de vir a ser.
E o que advir dele já é amanhã,
Ainda,
Mas tanto!
E além!
Só,
Isso tudo
E apenas o começo!
Que venham os anos, os brindes e o desassossego constante da busca. E acima dela e de todo o resto, que permaneça a máxima do durante, do entremeio que justificará o finito dito tempo, embalado na eterna atemporalidade dos que por amor e apenas nele, ressurgem descritos em cada ato contínuo e simples da vida,
Para o bem subentendido,
Para além da palavra.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Amor é ventura contínua.
( Aos recém-casados. Em itálico, abrindo e fechando a reflexão, “Soneto da Fidelidade”, de Vinícius de Moraes)
segunda-feira, 16 de abril de 2012
ADIANTAMENTO
Não adianta
Elucubrar-me
Atrasos.
Adianto-te:
Estes
São mesmo
Da natureza
Do tempo,
Não dos meus braços.
Elucubrar-me
Atrasos.
Adianto-te:
Estes
São mesmo
Da natureza
Do tempo,
Não dos meus braços.
LUGAR IN_COMUM
Escolhas
Quase sempre
São pouco confortáveis.
Talvez por isso
Eu tenha escolhido
Sentar-me ao chão
E desviar-me de tantos
Olhares de cobiça
Que miravam-me
O assento.
Quase sempre
São pouco confortáveis.
Talvez por isso
Eu tenha escolhido
Sentar-me ao chão
E desviar-me de tantos
Olhares de cobiça
Que miravam-me
O assento.
sábado, 7 de abril de 2012
ATO VERBAL
O falo é teu
Mas quando falo
Sou eu quem te diz do poder que ergues ao meu favor
Quando a língua se agarra aos teus ouvidos.
Não que eu faça pouco de minhas curvas
Mas sei que é no contorno dos meus lábios que rendo os teus
olhos
A desenhar labirintos ilógicos de costas nuas
Eu lavo o teu olhar com a minha palavra
Me insinuo na transparência sem-vergonha de um eufemismo
Te refaço das dúvidas e desconstruo as certezas
Em meu altar, faço lograr o teu teto de zinco.
Te dou cinco dos meus verbetes e flerto com a simplicidade
do aconchego
Linguístico é o nosso adeus grego
Despedida não há nesse templo
Meu verbo te volta, te evoca desejo
E eu te beijo todo
Sugo o sal do suor,
Sou pura fé em solo seco.
Objeto voador não identificado
É o meu par de braços a abraçar o abismo
Tal o vento que te catapulta os escrúpulos
Eu te guardo num silêncio rubro
Seguro de minhas inquirições de logo cedo.
O que sei não te pergunto
Meu verbo é um indulto que te serve
Acima do bem ou qualquer mal
- Absoluto –
Minha palavra te mastiga o sentido
Para só depois devolver ao gosto o poder das sensações
Na terminologia interminável da libido.
sexta-feira, 30 de março de 2012
NOVA ESTAÇÃO
Tons de dourar lembranças
Vão do alto ao chão...
- Despencam -
Despertador...
São 5
Pras 7
Quase caio em mim.
Vão do alto ao chão...
- Despencam -
Despertador...
São 5
Pras 7
Quase caio em mim.
OU TRONO
Eu te evoco
E é ele quem me toma
O corpo
E me guarda a alma
À sombra.
Perdoa
Se ouso de me entregar
Sem dono
Se é teu o nome
- Santo -
Que de fora a dentro
Em minha pele é ouro
A cravejar-me a boca.
Mas meu amor é teu
- Posto que não abandona -
Por mais vastos que sejam os braços
- Do Outono -
Este outro que me cobre os ombros
No cair exato de cada folha.
E é ele quem me toma
O corpo
E me guarda a alma
À sombra.
Perdoa
Se ouso de me entregar
Sem dono
Se é teu o nome
- Santo -
Que de fora a dentro
Em minha pele é ouro
A cravejar-me a boca.
Mas meu amor é teu
- Posto que não abandona -
Por mais vastos que sejam os braços
- Do Outono -
Este outro que me cobre os ombros
No cair exato de cada folha.
quinta-feira, 22 de março de 2012
MARÉ DE SAL
Tudo parecia
Feito
Quanto sonhado
Como se a gênese
Do desejo
Garantisse a existência.
As tintas emolduravam
Paredes fantásticas
Nas cores sem ruído
Da minha imaginação.
Mas era obra real
Do acaso
A abrir portas para o destino
Com flores na janela
E um cheiro ensurdecedor
De lírios...
Nem bem completei o caminho
Dei-me conta de que navegara em nau impossível
Atravessando ao mar bravio
Sem barco ou madeira de lei
Apenas a transpor o rei Netuno.
O náufrago é o pescado da maré sem curso
E foi com os pés fora do chão, avulsos
Que avistei ao longe um sonho bem n'água
De uma saudade sem tamanho
Veio o tal gosto de sal-lágrima
Eu estava no Arroio e só de tê-lo em meu olho
Já podia me sentir em casa.
Feito
Quanto sonhado
Como se a gênese
Do desejo
Garantisse a existência.
As tintas emolduravam
Paredes fantásticas
Nas cores sem ruído
Da minha imaginação.
Mas era obra real
Do acaso
A abrir portas para o destino
Com flores na janela
E um cheiro ensurdecedor
De lírios...
Nem bem completei o caminho
Dei-me conta de que navegara em nau impossível
Atravessando ao mar bravio
Sem barco ou madeira de lei
Apenas a transpor o rei Netuno.
O náufrago é o pescado da maré sem curso
E foi com os pés fora do chão, avulsos
Que avistei ao longe um sonho bem n'água
De uma saudade sem tamanho
Veio o tal gosto de sal-lágrima
Eu estava no Arroio e só de tê-lo em meu olho
Já podia me sentir em casa.
quarta-feira, 21 de março de 2012
SURDO MUNDO
Leio aos teus lábios
Como pudesse transvê-los.
No que dizem
Pouco me impactam
- Não são dados -
Mas dardos
A mirarem-me estragos
Em silêncio.
Reviro teus sucos gástricos
A fim de não gastar-me
- Antiácidos -
Ao ouvir cousas tolas.
Tolero-te
Mas a alto custo
Regenero-te no uso
A infligir-me tua.
A toa
Tu me acusas
Do que tu mesmo não te perdoas.
O que me dizem teus lábios
Me sussurra o oposto
A tua língua inculta.
Como pudesse transvê-los.
No que dizem
Pouco me impactam
- Não são dados -
Mas dardos
A mirarem-me estragos
Em silêncio.
Reviro teus sucos gástricos
A fim de não gastar-me
- Antiácidos -
Ao ouvir cousas tolas.
Tolero-te
Mas a alto custo
Regenero-te no uso
A infligir-me tua.
A toa
Tu me acusas
Do que tu mesmo não te perdoas.
O que me dizem teus lábios
Me sussurra o oposto
A tua língua inculta.
BIOGRAFISMO
Minha vida
Não há
De ser
Um açoite
Á liberdade...
Tão pouco libertina.
Minha vida não elege calabouços
Ou cala-me dos loucos
Minha vida é cousa
De querer esforços
Para costurar em lóbulos
Novas lógicas rítmicas.
Mas minha rima
Não é negócio
Mas usufruto dialógico
De quem se atreva à redimi-la.
Minha poesia
É um rastro cego
Incontido no não-liberto
E eu, que não espero
A guardo no credo
De quem não a credita.
Minha poesia
por ser rima qual quer
Não é qualquer rima.
Não há
De ser
Um açoite
Á liberdade...
Tão pouco libertina.
Minha vida não elege calabouços
Ou cala-me dos loucos
Minha vida é cousa
De querer esforços
Para costurar em lóbulos
Novas lógicas rítmicas.
Mas minha rima
Não é negócio
Mas usufruto dialógico
De quem se atreva à redimi-la.
Minha poesia
É um rastro cego
Incontido no não-liberto
E eu, que não espero
A guardo no credo
De quem não a credita.
Minha poesia
por ser rima qual quer
Não é qualquer rima.
terça-feira, 20 de março de 2012
GENEral
Sinto
Estar
Acima
De tudo
Não há sombra
Ou vulto...
Sou só
- Um corpo -
Fechado.
Minha fé
Agora é avulsa
- Mas absoluta -
E pulsa sem pecado.
Não hei de incorrer
No pânico do claustro...
Abafados,
Estão os meus medos
E é neles que me abro.
É esta a minha única guerrilha
- Secreta -
Entre mais verbos do que murmurios
Desencontrados nos atos do insepulto
Seja na paz, esteja em guerra
- Ser jamais será -
O ofício de poeta.
Estar
Acima
De tudo
Não há sombra
Ou vulto...
Sou só
- Um corpo -
Fechado.
Minha fé
Agora é avulsa
- Mas absoluta -
E pulsa sem pecado.
Não hei de incorrer
No pânico do claustro...
Abafados,
Estão os meus medos
E é neles que me abro.
É esta a minha única guerrilha
- Secreta -
Entre mais verbos do que murmurios
Desencontrados nos atos do insepulto
Seja na paz, esteja em guerra
- Ser jamais será -
O ofício de poeta.
COMPANHEIRO INFIEL
Sim
Eu ouso definir a literatura
Porque acredito
Que sinalizar
Provoque mais atalhos
Do que direções.
O aviso de "pare"
Nos faz olhar para ambos os lados.
Nem todos os cães que ladram
São ladrões.
Eu ouso definir a literatura
Porque acredito
Que sinalizar
Provoque mais atalhos
Do que direções.
O aviso de "pare"
Nos faz olhar para ambos os lados.
Nem todos os cães que ladram
São ladrões.
ANTI-CORPUS
Minha poesia
Não é deflagração de intelectualidade
Mas mecanismo mesmo
de sobrevivência.
Minha poesia
Sequer é minha
Se quer é tua
Mas é autônoma
Com preparo lírico
De maratonista.
Minha poesia sobrevive
- Pouca -
Mas multiplica-se na velocidade fônica
De toda
- Mas não qualquer -
Inexistência.
Não é deflagração de intelectualidade
Mas mecanismo mesmo
de sobrevivência.
Minha poesia
Sequer é minha
Se quer é tua
Mas é autônoma
Com preparo lírico
De maratonista.
Minha poesia sobrevive
- Pouca -
Mas multiplica-se na velocidade fônica
De toda
- Mas não qualquer -
Inexistência.
domingo, 11 de março de 2012
PLANO DE VOO
Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima
Foragida de Marte.
Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -
E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...
Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.
Há quem me diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...
Bobagem!
Se os irmãos Wright inventaram o avião
Foi Santos Dumont quem inventou a saudade imaginada
Em cada rota-linha!
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima
Foragida de Marte.
Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -
E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...
Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.
Há quem me diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...
Bobagem!
Se os irmãos Wright inventaram o avião
Foi Santos Dumont quem inventou a saudade imaginada
Em cada rota-linha!
VÃ PREMIERE
Segura na minha mão
E fecha os olhos.
Me deixa só desta vez
Te mostrar quem eu sou.
Não que das outras vezes não fosse eu...
É que quando eu tô com você
Surge uma versão com cortes
Sempre em película e curta-metragem.
Uma outra de mim
- Tão tímida quanto devassa -
Como se saída de um filme de Fellini
Mas daqueles para ser assistido só em casa.
E tem sido assim
Desde o nosso primeiro contato
Digamos, imediato.
Não consigo evitar
De esconder-me no silêncio
A abreviar repertórios.
Parece que quando olha nos meus olhos
Eu, poeta
Experimento o inominável.
Só há dois espaços
- Sagrados -
Onde me sinto a salvo:
Um é aqui...
O outro é nos teus braços.
E fecha os olhos.
Me deixa só desta vez
Te mostrar quem eu sou.
Não que das outras vezes não fosse eu...
É que quando eu tô com você
Surge uma versão com cortes
Sempre em película e curta-metragem.
Uma outra de mim
- Tão tímida quanto devassa -
Como se saída de um filme de Fellini
Mas daqueles para ser assistido só em casa.
E tem sido assim
Desde o nosso primeiro contato
Digamos, imediato.
Não consigo evitar
De esconder-me no silêncio
A abreviar repertórios.
Parece que quando olha nos meus olhos
Eu, poeta
Experimento o inominável.
Só há dois espaços
- Sagrados -
Onde me sinto a salvo:
Um é aqui...
O outro é nos teus braços.
domingo, 4 de março de 2012
AUTO DE CONSAGRAÇÃO
Esconde-te
De meus olhos
Ainda tão repartidos
Em brevidade.
Não me deixe ver
Quanto de ti ainda resta
A vagar por aí
No claustro monocórdico
Desta cidade.
Finge que sou de conceber
O ímpeto do qual morri
Quando estavas em fins de reagir
Mas foste covarde.
Te quero perto
Sério
Sóbrio
Não em breves cismas
Ou em palavras frias
Sem teor concreto.
Vem me olhar em terra firme
Sem temer o lume
Que disfarçado de sublime
Pode esvair-se no léxico.
Me deixa ser teu amor sem dono
Extenso, semente em terreno plano
Em tantas paráfrases de Perséfone
Te proponho o verso dissuadido da tese
O mais terno, assim livre
Em benigno registro.
Lê a minha palavra
Pudesse transpor o entendimento
E simplesmente existi-la no infinito.
O amor é um símbolo
Mas o que sinalizo
É um ritmo absorto em monoteísmo...
Um só Deus
Enquanto não houver adeus
Eu não desisto.
De meus olhos
Ainda tão repartidos
Em brevidade.
Não me deixe ver
Quanto de ti ainda resta
A vagar por aí
No claustro monocórdico
Desta cidade.
Finge que sou de conceber
O ímpeto do qual morri
Quando estavas em fins de reagir
Mas foste covarde.
Te quero perto
Sério
Sóbrio
Não em breves cismas
Ou em palavras frias
Sem teor concreto.
Vem me olhar em terra firme
Sem temer o lume
Que disfarçado de sublime
Pode esvair-se no léxico.
Me deixa ser teu amor sem dono
Extenso, semente em terreno plano
Em tantas paráfrases de Perséfone
Te proponho o verso dissuadido da tese
O mais terno, assim livre
Em benigno registro.
Lê a minha palavra
Pudesse transpor o entendimento
E simplesmente existi-la no infinito.
O amor é um símbolo
Mas o que sinalizo
É um ritmo absorto em monoteísmo...
Um só Deus
Enquanto não houver adeus
Eu não desisto.
POEMA SEM FRONTEIRA - A Leon Tolstói
Revólver
Devolve
Aos montes
As montanhas
Que nos separam
Dos feixes de luz do cosmos
Em estampido.
Cosmopolita...
Eu sou a tua íntima fêmea pré-concebida
E sou a mais tímida e pretensiosa
Promessa exígua
De um exímio impressionista.
A extinguir tantas eras
Mais líquidas
Te escorro pelas mãos
- Não me siga -
Posso calhar de revirar
Tantas promessas
Desprovida das resmas
Ou das mesmas tão eternas
Quando pífias.
Observa-me circunscrita em pedra
Sou primitiva quimera
A conceber o amor em conserva
E mesmo com todo o poder da arte na guerra,
A mais pacifista.
Devolve
Aos montes
As montanhas
Que nos separam
Dos feixes de luz do cosmos
Em estampido.
Cosmopolita...
Eu sou a tua íntima fêmea pré-concebida
E sou a mais tímida e pretensiosa
Promessa exígua
De um exímio impressionista.
A extinguir tantas eras
Mais líquidas
Te escorro pelas mãos
- Não me siga -
Posso calhar de revirar
Tantas promessas
Desprovida das resmas
Ou das mesmas tão eternas
Quando pífias.
Observa-me circunscrita em pedra
Sou primitiva quimera
A conceber o amor em conserva
E mesmo com todo o poder da arte na guerra,
A mais pacifista.
RELÓGIO DE SOL
Tem água
No contorno do céu
Terreno.
É um lado
Sobreposto
Ao que poemo
De chover substrato
Ao avesso
De clima árido
E tão seco.
Sou de florescer meus versos
Decênios
A ponto de apurar sua tolerância
À cada franca mudança de estação.
Me diz então
Por que acho de mim
Um corpo perdido
Intrigado de euforia
Bons poemas não surgem ao que principia
Mas ao que se termina em vão.
Teimosia a minha
Tentar ver lua em céu de mar
Se pareço chover sozinha...
O sol é um tormento de honraria
Bravos são os raios
A sapecar meu instrumento de precisão,
- A poesia -
No contorno do céu
Terreno.
É um lado
Sobreposto
Ao que poemo
De chover substrato
Ao avesso
De clima árido
E tão seco.
Sou de florescer meus versos
Decênios
A ponto de apurar sua tolerância
À cada franca mudança de estação.
Me diz então
Por que acho de mim
Um corpo perdido
Intrigado de euforia
Bons poemas não surgem ao que principia
Mas ao que se termina em vão.
Teimosia a minha
Tentar ver lua em céu de mar
Se pareço chover sozinha...
O sol é um tormento de honraria
Bravos são os raios
A sapecar meu instrumento de precisão,
- A poesia -
sábado, 3 de março de 2012
POEMA DE FIBRA
O fim do beco
Era um bloco
De rua.
Paredes escarlate
Parafraseavam
Sentimentos rubros.
Um passo à frente
Deflagaria nova era.
Para trás, a quimera...
Lembrança taciturna
De mais ávidas estações
A sangue frio.
Te corto os olhos
Com o golpe máximo
De uma saudade desconhecida.
O grito é um assalto
Mas não te entrego a minha vida.
Logo agora
Que aprendi a reservá-la
De meu próprio mistério
Sou surpreendida
Pela remoção massiva
De escombros.
É tanto teto de ouro
Retorcido
Que não sei se acredito
Que potes de ouro
Possam cair do céu.
Ao final dos arcos da lapa
Cada pupila se dilata
- Em iris -
Peço que desfoque de tuas crises
E me desveja no papel.
O velho é apenas um outro pacto
A desafiar, de novo
O tempo intacto
Que no cadafalso se perdeu.
Ergue teus olhos
E me encara
Adulta.
Não adula-me como mulher
- Jamais serei coisa tua.
Aceita-me ímpar, como tua dupla
Sou fruto, acima de tudo
De rima, madura.
O verbo cansou de trafegar no imenso
Agora quer vaga cativa
Mesmo que sem professar a fé
Ele prossiga a pé,
E jamais chegue à missa.
Estou certa
De que o que chamam de fé
É o feito de uma mulher
Que jamais foi submissa.
Era um bloco
De rua.
Paredes escarlate
Parafraseavam
Sentimentos rubros.
Um passo à frente
Deflagaria nova era.
Para trás, a quimera...
Lembrança taciturna
De mais ávidas estações
A sangue frio.
Te corto os olhos
Com o golpe máximo
De uma saudade desconhecida.
O grito é um assalto
Mas não te entrego a minha vida.
Logo agora
Que aprendi a reservá-la
De meu próprio mistério
Sou surpreendida
Pela remoção massiva
De escombros.
É tanto teto de ouro
Retorcido
Que não sei se acredito
Que potes de ouro
Possam cair do céu.
Ao final dos arcos da lapa
Cada pupila se dilata
- Em iris -
Peço que desfoque de tuas crises
E me desveja no papel.
O velho é apenas um outro pacto
A desafiar, de novo
O tempo intacto
Que no cadafalso se perdeu.
Ergue teus olhos
E me encara
Adulta.
Não adula-me como mulher
- Jamais serei coisa tua.
Aceita-me ímpar, como tua dupla
Sou fruto, acima de tudo
De rima, madura.
O verbo cansou de trafegar no imenso
Agora quer vaga cativa
Mesmo que sem professar a fé
Ele prossiga a pé,
E jamais chegue à missa.
Estou certa
De que o que chamam de fé
É o feito de uma mulher
Que jamais foi submissa.
REVELAÇÃO
Sofro de um medo
Excessivo
A lograr-me o bom êxito
Em teor vespertino
Não mais consigo
Nomear o que pretendo
Apenas tento evocar meu instinto
A censurar meus bloqueios.
Eu sei que está em hora
De reaver meus sentidos
Mas é tão íngreme o cerco frio
Que não posso aninhar-me
- É faca pontiaguda na carne -
A coragem que silencio.
Excessivo
A lograr-me o bom êxito
Em teor vespertino
Não mais consigo
Nomear o que pretendo
Apenas tento evocar meu instinto
A censurar meus bloqueios.
Eu sei que está em hora
De reaver meus sentidos
Mas é tão íngreme o cerco frio
Que não posso aninhar-me
- É faca pontiaguda na carne -
A coragem que silencio.
INOLVIDÁVEL
Guardo comigo
Teu lugar
- Que é só meu -
Por escrito.
Temo reintegrar-te posses
Posto que há vozes
Que te tomam
Meu espírito.
Á luz dos meus medos
Escondem-se à penumbra
Os meus sonhos mais bonitos...
Penso serem olhos
A dádiva de te escrever o que não digo.
O silêncio é um sóbrio
Mas há o ilógico,
Ah, estas vozes em meus ouvidos!
Teu lugar
- Que é só meu -
Por escrito.
Temo reintegrar-te posses
Posto que há vozes
Que te tomam
Meu espírito.
Á luz dos meus medos
Escondem-se à penumbra
Os meus sonhos mais bonitos...
Penso serem olhos
A dádiva de te escrever o que não digo.
O silêncio é um sóbrio
Mas há o ilógico,
Ah, estas vozes em meus ouvidos!
RESTA UM
Tenho amor algum
Agonizado
Em consequentes
De desamparo.
Não temo remos
Ou raios
Sigo a maré do desassossego
Mas me separo
De cada onda amiúde
- São só rastros de juventude -
A prescrever o que já não trago
Elevado
Ou expresso.
Não sou mulher de um só verso
O que resto
É só o resto.
Agonizado
Em consequentes
De desamparo.
Não temo remos
Ou raios
Sigo a maré do desassossego
Mas me separo
De cada onda amiúde
- São só rastros de juventude -
A prescrever o que já não trago
Elevado
Ou expresso.
Não sou mulher de um só verso
O que resto
É só o resto.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
SOBREVIVENTE
O efeito mais nocivo da Literatura
É a sua constante possível de resgate.
Pode-se trazer à tona
- A qualquer momento -
O mais ermo naufrago da humanidade
Que pouco ou quase nada
Saberá de embarcações
Mas sim,
Só dos tempos
De tempestade.
É a sua constante possível de resgate.
Pode-se trazer à tona
- A qualquer momento -
O mais ermo naufrago da humanidade
Que pouco ou quase nada
Saberá de embarcações
Mas sim,
Só dos tempos
De tempestade.
MEGA CENA
Recebi pelo correio
Meu bilhete premiado
Há mais de uma década
Extraviado.
Pensava eu
Nada ter a sorte
A ver com o passado...
Não sei se haverei
De resgatar o prêmio
Mas por enquanto
Irei guardá-lo
Para meu próprio bem
Bem a salvo.
Meu bilhete premiado
Há mais de uma década
Extraviado.
Pensava eu
Nada ter a sorte
A ver com o passado...
Não sei se haverei
De resgatar o prêmio
Mas por enquanto
Irei guardá-lo
Para meu próprio bem
Bem a salvo.
PRONTA-ENTREGA
Empilhadeiras
Que perdoem
O meu mau jeito.
- Não sou de armazenar -
Mas de vestígios.
Que perdoem
O meu mau jeito.
- Não sou de armazenar -
Mas de vestígios.
CORPO DE TRABALHO
Sou absoluta
Margem
Anteposta
À estrela.
Sou tida
Na frase
- Exata -
Como me cabe
O poema.
Margem
Anteposta
À estrela.
Sou tida
Na frase
- Exata -
Como me cabe
O poema.
VERTIGINOSA
Minhas escolhas
São escolas
De encolher
Antagonismos
E o papel
O princípio.
Ter papel principal
É mirar precipício.
São escolas
De encolher
Antagonismos
E o papel
O princípio.
Ter papel principal
É mirar precipício.
DIREITO À PROPRIEDADE
Não és mais minha
Do que o pronome possessivo
Que te condiciona.
Eu te pertenço, poesia.
Do que o pronome possessivo
Que te condiciona.
Eu te pertenço, poesia.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
POEMA DE AMOR PAGÃO
Será que tornei-me outra pessoa
Ou apenas
Fui sobrevivendo e me moldando
À possíveis fôrmas do não-fracasso?
Quanto
O tempo fez de mim
Sua escolha distraída
Enquanto eu pensava estar amadurecendo?
As nuances de dúvida
Constroem espetáculos
Por vezes hipnóticos.
O silêncio
Desenha com graça
O drama da não-presença.
Escrevo
Como quem pudesse pairar firmamento
Acenos da cidade maravilhosa...
Mas me calo.
Não estou em vezes
De suportar as vozes da palavra
Assimétrica e inolvidável.
Por isso
Peço que me fale baixinho
No sussurro quase surdo
De quem sabe de tudo o que há
No imenso.
E não ouses mencionar melancolias
Ou liturgias da palavra,
Clandestinas.
Quero é teu arrimo
A rima já me habita
Posto que ao verbo faço jus
Não quero a sua sina.
Sou poeta,
Isto te basta
Ou abominas?
Temo não caber
- Pequena -
Em teu abraço...
Não sei quem és
Apenas quem fui
Quando tu já não podias estar sendo.
Temo escorregar feita de louça
Pelos teus dedos
E espatifar-me em epitáfio lírico.
A despedida é um eco pálido
E eu, que tanto sangue trago
Sou dona de estourar cada vaso
Antes que cheguem ao coração.
Arrítmica bomba de epinefrina
- Mas na lira -
Espalho miolos ao chão.
Não calho de estabilizar batimentos
Tão pouco debater frustrações.
Sou o que sou
Só tenho no papel
O consentimento de não-ressuscitação.
Mas minha vontade
- Nula prisioneira de múltiplos compartimentos -
Compartilha da mesma veia que alimenta a minha inspiração.
Respiro.
Deixo o ar invadir teus espaços
E quem sabe
Preencher a sensação de amplitude
Que me toma quando penso em ti.
Liga o amplificador
Cúmplice da desova silenciosa
- Em batida frenética -
De minhas frases sobrepostas.
Não sei se aguento mais essa, sóbria.
Não sei mais sobrar manifestos.
Não quero mais ser dona das iniciativas
Nem das de recuo...
Quero o apuro ileso do teu corpo junto.
Há tanta solenidade em meus lençóis recobertos
Que sintetizo o vento a deflagar tempestade.
Que voem os varais
- E o tempo -
À vontade.
Roupa limpa areja boas frestas divinas.
Agora me beija
E me faz crer na saudade
Aquela deusa
Antiga.
(Voo Rio-BH 23/02/12)
Ou apenas
Fui sobrevivendo e me moldando
À possíveis fôrmas do não-fracasso?
Quanto
O tempo fez de mim
Sua escolha distraída
Enquanto eu pensava estar amadurecendo?
As nuances de dúvida
Constroem espetáculos
Por vezes hipnóticos.
O silêncio
Desenha com graça
O drama da não-presença.
Escrevo
Como quem pudesse pairar firmamento
Acenos da cidade maravilhosa...
Mas me calo.
Não estou em vezes
De suportar as vozes da palavra
Assimétrica e inolvidável.
Por isso
Peço que me fale baixinho
No sussurro quase surdo
De quem sabe de tudo o que há
No imenso.
E não ouses mencionar melancolias
Ou liturgias da palavra,
Clandestinas.
Quero é teu arrimo
A rima já me habita
Posto que ao verbo faço jus
Não quero a sua sina.
Sou poeta,
Isto te basta
Ou abominas?
Temo não caber
- Pequena -
Em teu abraço...
Não sei quem és
Apenas quem fui
Quando tu já não podias estar sendo.
Temo escorregar feita de louça
Pelos teus dedos
E espatifar-me em epitáfio lírico.
A despedida é um eco pálido
E eu, que tanto sangue trago
Sou dona de estourar cada vaso
Antes que cheguem ao coração.
Arrítmica bomba de epinefrina
- Mas na lira -
Espalho miolos ao chão.
Não calho de estabilizar batimentos
Tão pouco debater frustrações.
Sou o que sou
Só tenho no papel
O consentimento de não-ressuscitação.
Mas minha vontade
- Nula prisioneira de múltiplos compartimentos -
Compartilha da mesma veia que alimenta a minha inspiração.
Respiro.
Deixo o ar invadir teus espaços
E quem sabe
Preencher a sensação de amplitude
Que me toma quando penso em ti.
Liga o amplificador
Cúmplice da desova silenciosa
- Em batida frenética -
De minhas frases sobrepostas.
Não sei se aguento mais essa, sóbria.
Não sei mais sobrar manifestos.
Não quero mais ser dona das iniciativas
Nem das de recuo...
Quero o apuro ileso do teu corpo junto.
Há tanta solenidade em meus lençóis recobertos
Que sintetizo o vento a deflagar tempestade.
Que voem os varais
- E o tempo -
À vontade.
Roupa limpa areja boas frestas divinas.
Agora me beija
E me faz crer na saudade
Aquela deusa
Antiga.
(Voo Rio-BH 23/02/12)
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
CÓDIGO FONTE
Sabe que essa pretensão
De atravessar
com a palavra
É mal feitoria
- Ainda que bem feita -
Típica de nós, poetas?
Acreditar que por onde um homem
Ergue seu subjetivo de significantes
Um outro cá de lá seja capaz de retransmitir
Na nulidade-dúvida de cada ideia,
Uma vibração de alcance
Que para muitos apenas soa como contraste...
E se te encontraste neste recheio de dia novo
- Ainda que cá deste lado inda seja noite -
Me desprendo fosse o que te veste o sonho
E do verso solto, faço o meu disfarce.
De atravessar
com a palavra
É mal feitoria
- Ainda que bem feita -
Típica de nós, poetas?
Acreditar que por onde um homem
Ergue seu subjetivo de significantes
Um outro cá de lá seja capaz de retransmitir
Na nulidade-dúvida de cada ideia,
Uma vibração de alcance
Que para muitos apenas soa como contraste...
E se te encontraste neste recheio de dia novo
- Ainda que cá deste lado inda seja noite -
Me desprendo fosse o que te veste o sonho
E do verso solto, faço o meu disfarce.
LUZ INDIRETA
E se a resma não cora
Ela chora
Parafina.
E se for a mesma vela
- A minha -
A fé que se ergue em reza
Me descredita a madrugada cega
E me recorda que sou sozinha.
Ela chora
Parafina.
E se for a mesma vela
- A minha -
A fé que se ergue em reza
Me descredita a madrugada cega
E me recorda que sou sozinha.
SIGNO LINGUÍSTICO
Matéria...
Você ressignificou a matéria
Quando a nossa se fundiu à força sagrada
Do que transcende.
Se tenho vocabulário dos atos mais verbais
Não me servem mais...
Você me subentende.
Você ressignificou a matéria
Quando a nossa se fundiu à força sagrada
Do que transcende.
Se tenho vocabulário dos atos mais verbais
Não me servem mais...
Você me subentende.
POEMA PROLETÁRIO
O pai do ano nasceu inda filho
E mensalmente faz poupança
A fim de não subjugar-se à alheia.
O pai do ano vem todo santo dia da feira
Tem calos nos dedos
E sua mãe não tem nome.
O pai do ano já é homem
E ainda reverbera o sonho do menino...
Logo que acorda o dia
Vai Conduzido da Silva
Aprender a lidar com a própria lida
E fazer render inteira
Sua meia-idade.
O pai do ano inda é menino
Mas há de ser o arrimo
Força bruta a erguer o país em vão
Do que há na terra
E do que jamais será seu,
Nem quando estiver debaixo dela.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
BACO DE PAPEL
Meu bloco
De concreto
Só tem o cordão
De isolamento.
Não sôfrego,
Contido
Ou amargurado...
Meu bloco
É um desfile de códigos
No ápice de seus logaritmos prováveis
E frases de efeito
Midiático.
Meu bloco
É feito
Em barco de papel
Mas ainda assim
- Tácito -
Como os feitos de Baco.
De concreto
Só tem o cordão
De isolamento.
Não sôfrego,
Contido
Ou amargurado...
Meu bloco
É um desfile de códigos
No ápice de seus logaritmos prováveis
E frases de efeito
Midiático.
Meu bloco
É feito
Em barco de papel
Mas ainda assim
- Tácito -
Como os feitos de Baco.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
LITORAL - para Renato Russo
Há Deus
Se não houver tempo...
E tudo se move
É só a saudade
Esse abismo de vento.
Se não houver tempo...
E tudo se move
É só a saudade
Esse abismo de vento.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
TERMINAL
O porto de Suape
- Suave -
Me detém
A cada embarque
É dele que vem meu bem
E nele que meu bem descobre...
O segredo de ir além
É me ler em braile.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
PROFUNDO DE GARANTIA
Já não tenho lugar
Desde que passei a me ocupar
De coisa alguma.
Nasci com trabalho definido
Licenciada e com cadeira cativa
Em minha própria escrivaninha.
E desde então, tudo o que eu existo, escrevo.
Não tenho folgas ou feriados
É uma espécie de sacerdócio automático
Das minhas funções emocionais
Neurais-Cognitivas.
Se meus escritos viram obra?
Aí depende da posição dos tijolos
E do tipo de estrutura
Que estou a erguer
Ou a derrubar.
A escrita
É um ato de implosão
Ora controlado
Ora capaz de varrer qualquer vestígio da face que aterra.
Aterrador é ler a si
Egoísta mas indispensável
Ao exercício Lácio
Do ofício íntimo...
Quando me abstenho de escrever
Algo de vasto se exacerba diante de meus olhos
Embaçados de tanto ouvir ressoar frio.
Meu ar de inverno mais febril
É o relampejo de ideias tão desconexas
Que talvez não seja nesta vida
Que vingue de dissolver-me a língua
Em solução, de deixar ver os que verão
Primavera já extinta.
Ácida é a base de todo o sacrifício
Desta oferta de rotina
A escorrer lado a lado
Fosse gargalo
De micro-ácido-aspersão
- De meu destino -.
Dispenso aparatos de guerra
E reparo em cada fera enjaulada
Às frestas da janela do avião.
Muitos dormem
Outros se acomodam no silêncio relativo de estar acima de tudo
Até mesmo dos abalos
Sísmicos.
Mas eu cismo em olhar de perto
O andar desordenado das aranhas caranguejeiras
Fossem venenosas, dizem, seriam as primeiras
A me predar tal um pagão.
Mas meu sangue tão escorrido
Dor perpétua, hemofílico
Atreve-se a produzir o soro antiofídico
Até contra o choro
Que dirá contra a queda de pressão.
Se as palavras me carregam?
Não, eu as levito.
As espio escorrerem livres por entre os livros
E sei, não me ocupo de dígitos.
Nasci amparada por des_contar
Histórias de punho a pulsar
Em punhados de decoro infinito.
E sim
Carrego comigo
Um amor
Não um sonho
De vivê-lo
Antes que possa morrer
No que prevê
O Outono.
BIG BANG
Nosso
Segundo
De desencontro
Reuniu os astros em realinhamento
Infinito.
E foi ali
- Nos teus braços -
Que aconteci princípio.
sábado, 14 de janeiro de 2012
REDENTOR
Há tamanho ardor
Retorcido em faz-de-conta
Que prefiro elevá-lo
À redenção.
Autoridades de fé
Nada movem além de miragens
Bravo mar em ricas margens
Vaga lei dos que fogem, em vão.
E daí que te ergo os braços
E te concedo o livre-arbítrio
Para que optes, ao fim
Por todo o acaso
- Não por bom exemplar de sexo frágil -
E não me escondas
De tua face máxima
- Me deixo exposta -
Mas não como tua devota
E caso faça as vezes
Do todo poderoso que me ouve
Mas que, passível, permanece imóvel
Ainda poderás olhar ao alto
A vaga estrela do impossível
- Que se recolhe -
Bem diante dos teus olhos.
(E como crer, se é incrível?)
Retorcido em faz-de-conta
Que prefiro elevá-lo
À redenção.
Autoridades de fé
Nada movem além de miragens
Bravo mar em ricas margens
Vaga lei dos que fogem, em vão.
E daí que te ergo os braços
E te concedo o livre-arbítrio
Para que optes, ao fim
Por todo o acaso
- Não por bom exemplar de sexo frágil -
E não me escondas
De tua face máxima
- Me deixo exposta -
Mas não como tua devota
E caso faça as vezes
Do todo poderoso que me ouve
Mas que, passível, permanece imóvel
Ainda poderás olhar ao alto
A vaga estrela do impossível
- Que se recolhe -
Bem diante dos teus olhos.
(E como crer, se é incrível?)
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
DE CARNE E OSHO
Teu dom é um poema
- Diferente do meu, que prescreve -
O teu presentifica.
E é por ficar, talvez
Que a cada letra
O tema me fuja à lira
Sou tomada a cada cem decibéis
Por uma onda de pausas quase rítmicas.
Não precisa dar nome ao meu lugar
Eu que já vaguei por vastas esferas
- Tão notívaga -
Hoje ergo-me do chão no será
Daquela que perfuma o ar, esquecida.
Mas continuo a acreditar
Porque ninguém há de devolver
Minhas luas, tão ingênuas...
Tenho fé mas sou feita de fibra de mar
Que a maré não há de afundar
Enquanto me quiser, terrena.
- Diferente do meu, que prescreve -
O teu presentifica.
E é por ficar, talvez
Que a cada letra
O tema me fuja à lira
Sou tomada a cada cem decibéis
Por uma onda de pausas quase rítmicas.
Não precisa dar nome ao meu lugar
Eu que já vaguei por vastas esferas
- Tão notívaga -
Hoje ergo-me do chão no será
Daquela que perfuma o ar, esquecida.
Mas continuo a acreditar
Porque ninguém há de devolver
Minhas luas, tão ingênuas...
Tenho fé mas sou feita de fibra de mar
Que a maré não há de afundar
Enquanto me quiser, terrena.
domingo, 8 de janeiro de 2012
ENSAIO SOBRE A VIDÊNCIA - O poder do poeta em transver a realidade
"O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.”.
(Alberto Caeiro)
É elas não terem sentido íntimo nenhum.”.
(Alberto Caeiro)
Abri mão da prosa como quem aceita e reconhece o caráter predominante do imediato-sintético, adornando tal percepção em linguagem: meus poemas.
Um sentimento de eureca me tomava de modo totalmente inconsciente. Se as paragens que constituem a vida são sempre tão passageiras e terminais, como não internalizar tal noção temporal e imprimi-la à atividade mais orgânica que me move?
A poesia distorce bens perecíveis ao comprimi-los em vastas escolhas semânticas: cada verso tem o poder devastador de súbita paixão subtraída, roubando-nos adjetivos e elevando-os ao contorno, outrossim, do intangível.
Um bem súbito capaz de acometer como defesa até o mais relutante e convicto escritor prolixo, maltratado pelas recorrências de "fonemas-edemas" em sua arte.
A poética, de certa forma, não é para o entendimento das massas, mas para seu estranhamento. Este só vira entendimento se o povo, obtentor legítimo da língua, for autuado pelas palavras do poeta em flagrante e com leitura de seus direitos, de decodificação inclusive, ficando detido em seus termos. Em outras palavras, para um leitor não assíduo de poesia ou não iniciado nessa prática, esta só passará a ser assimilada, caso o vocabulário esteja acessível e o conteúdo alinhado ao momento de vida daquele leitor de ocasião.
Ainda que a linguagem e o domínio popular carreguem as vestes inquisidoras do poeta, é da própria natureza arbitrária da manifestação artística constituir o paradoxo de diferi-lo do comum, para que o dito ordinário possa refletir-se sem maiores implicações, uma vez que "o artista" reconhecido enquanto sujeito, torna-se autor da manifestação, representando o direito que "os demais" parecem não atribuir a si mesmos quando o elegem como representante, uma vez identificados com o que leem.
A grande deformidade do conceito do SER POETA, advém da glamourização do oficio em detrimento à conciliação estética das curvaturas do real em fantasia que o entendimento de conteúdos de arte proporciona. Como a linguagem tende a ser alegórica, a dificuldade em dimensionar seu alcance no dia-a-dia e aproximá-la da temática cotidiana, torna-se um obstáculo para a compreensão do leitor, para os desdobramentos espontâneos ou efeito catártico. A identificação é fator determinante em todo o processo.
Qualquer construção fica comprometida ao ponto em que o artista é confundido com o detentor de um ritmo ou filosofia de vida diferenciados e de expressão favorecida. Ora, se cabe a ele habilitar o próprio olhar e capturar paragens da constituição do coincidente da natureza humana, como tal processo se dará se ele for tido às margens da própria espécie e estigmatizado? Como poderá contribuir de forma genuína e reconhecida para conceber novas vias de percepção do indivíduo se passar a integrar lugar algum?
Entenda-se como artista, aquele que vê como nula a própria existência se subtraído de seu direito de elaboração e transformação constantes, sem as dimensões de expressão criativa, ou que, nas palavras de Fabrício Carpinejar, "distrai-se das coisas (estas utiliza apenas para efeitos de verossimilhança) para concentrar-se nas pessoas", que as percebe, incita, absorve, por vezes, constrange. O artista catalisa o que abomina com a mesma fome que a verve apaixonada do que dizem dom, o constrange. E este é o ponto: a inexpressiva capacidade de auto dialogar é o que gera sua reflexão, elege seus desafios, constrói sua busca autobiográfica, ora confundida em sobras ao puro acaso ora neutralizada na inevitável força do hábito. O artista é o fio condutor do que extrapola sua própria metalinguagem e o auge que rege como reage cada termo é seu produto icônico, sua pintura, sua escultura, sua fotografia, sua expressão artística, exposta ao mundo como a reconstrução de uma sensação agora itinerante, tão tóxica quanto uma saudade.
"O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo."
(Manoel de Barros)
ACASO ESTAÇÃO
Há vezes
Minha poesia
Rima
Com covardia
Frustração
Esquecimento
Há vezes
Meus poemas
Viram oração...
Ora são ovacionados
Ora chocam
A platéia de otários
Pseudo-Didatas
Escravos de empenho.
Ora escrevem
O que vem na sequência
Ora prescrevem
As próprias dúvidas
Em delito.
Meus poemas
São uma típica moléstia
Das que afastam aos fortes
E abafam os gritos
Fulminam-os em ode
Em ordinárias doses
E game over!
Meu poema é um cover
De infinitas covardias
Mais extremas
Meu poema é nave mãe
Que me abduz em alta voltagem
Dos restos de clausura
Dos restos de clausura
Meu poema é um cínico
Vacinado contra a própria obviedade
Meu poema é o viés por onde atravesso
E sobro-me nula.
Meu poema é voz de ciso
A empurrar a dentição que tritura
O enigma pastoso do meu dia-a-dia
O enigma pastoso do meu dia-a-dia
Meu poema é uma pena
Uma condecoração por cada falho ato de bravura
Meu poema é tão só
Uma súbita sutura
Que sangra cada suposição
A coagular na fuligem
De minha franca armadura.
Meu poema é uma rima pobre
E letárgica
Que se consome no ventre
Mas no ventre não se espalha.
Meu poema é um acidente
Em percurso presumido
Meu poema é a ínfima gênese
Em que mato o que eu mesma crio.
Meu poema é um filho bastardo
Alimentado no verbo
Mas abandonado ao acaso dos trilhos.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
DA CONFISSÃO E DA INDULGÊNCIA
A tua malandragem
Te precede
E eu, admito
Cedo aos teus "em tanto"...
Entretanto
Te percebo
Te estudo
- Não projeto -
Projeção pressupõe perspectiva
E a minha literatura
Te deforma
A cada hora
Desconstrói
E temporiza ao meu gosto
E ao meu modo
Irrestrita
Sou dona de conceber
A fé antiga
Que atire a primeira pedra
Quem não for mulher
De erguer-se da queda
Mais bonita.
Minha beleza
É o contra-senso
Da tua lógica
Desafiada
Pela gótica
Simetria
Que verbaliza.
Conforme
A performática
Do anti-furto
Te entrego
O meu amor
Dissuadido do verbo
E enfim, me nego...
É meu indulto.
Te precede
E eu, admito
Cedo aos teus "em tanto"...
Entretanto
Te percebo
Te estudo
- Não projeto -
Projeção pressupõe perspectiva
E a minha literatura
Te deforma
A cada hora
Desconstrói
E temporiza ao meu gosto
E ao meu modo
Irrestrita
Sou dona de conceber
A fé antiga
Que atire a primeira pedra
Quem não for mulher
De erguer-se da queda
Mais bonita.
Minha beleza
É o contra-senso
Da tua lógica
Desafiada
Pela gótica
Simetria
Que verbaliza.
Conforme
A performática
Do anti-furto
Te entrego
O meu amor
Dissuadido do verbo
E enfim, me nego...
É meu indulto.
sábado, 31 de dezembro de 2011
TRANS_LÚCIDA
Luas
Multicor
Afastam sombras
Da luz terrena.
E eu
Fosse o poema
Vivia a construir fortes
Para guardar a morte
Que desfalece
Na lua cheia.
Multicor
Afastam sombras
Da luz terrena.
E eu
Fosse o poema
Vivia a construir fortes
Para guardar a morte
Que desfalece
Na lua cheia.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
HABEAS CORPUS
Que conste no autos
Cada evidência trêmula
Das vossas concessões
Para que enfim,
Não nomeies o inevitável
Com os escrúpulos do todo-acaso.
A salvo os prazos,
Estão as prisões.
Cada evidência trêmula
Das vossas concessões
Para que enfim,
Não nomeies o inevitável
Com os escrúpulos do todo-acaso.
A salvo os prazos,
Estão as prisões.
DORAVANTE
A poesia caiu do cavalo
E resolveu seguir
Adiante
Por sobre os próprios pés de estigmata
- Os seus punhos -
Jamais haverá de confiar seu vir a ser
A um quatro patas
Incapaz de livrar sua palavra
Do infortúnio.
E resolveu seguir
Adiante
Por sobre os próprios pés de estigmata
- Os seus punhos -
Jamais haverá de confiar seu vir a ser
A um quatro patas
Incapaz de livrar sua palavra
Do infortúnio.
JURADA DE SORTE
Meu amor
É uma afronta
Imaculada
Sob as amarras
Da Literatura.
Liberta e sôfrega
- A mais honesta -
De minhas súplicas.
Quisera poder arrendar
O meu peito ao teu amor
Como me invade a poética
A cada jura.
CUSTO BENEFÍCIO
Se Matisse
Visse
A cor que o matou
Estaria em crise...
Jamais daria vida
- Ao dom -
Que pincela
Nas matizes.
Visse
A cor que o matou
Estaria em crise...
Jamais daria vida
- Ao dom -
Que pincela
Nas matizes.
SLOW MOTION
Era uma vez
Uma vespa amestrada....
De tanto voar presa
Aprendeu a morar no ar
- Suspensa -
E a morrer
Em câmera lenta.
Uma vespa amestrada....
De tanto voar presa
Aprendeu a morar no ar
- Suspensa -
E a morrer
Em câmera lenta.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
OLHAR CLÍNICO
Acostuma
A me observar
Lírica e pautada
Na tua estética
Em minhas curvas.
Deixa que eu te escreva
O meu melhor é um porém
Se bem me mede
Há outras dúvidas.
A me observar
Lírica e pautada
Na tua estética
Em minhas curvas.
Deixa que eu te escreva
O meu melhor é um porém
Se bem me mede
Há outras dúvidas.
DAS INTEMPÉRIES E DOS RISCOS
A cada dia
Convenço-me
Da transitoriedade
Do engano.
Há certas chuvas
Que trazem a colheita
De todo um ano.
Convenço-me
Da transitoriedade
Do engano.
Há certas chuvas
Que trazem a colheita
De todo um ano.
ADVERSA
Te dou torpor
- Ninguém -
Me versa.
Amanhecido
De promessa
Sem garantias de volver à tua sede
Os meus pecados são da fonte, a rede
E eu, do verso.
- Ninguém -
Me versa.
SANGUE FRIO
Um poema
É vasta oferta
É fé, alerta
Em meu ventre
Um obstáculo.
Observa-me reluzir em tua pele
Enquanto me descobres anestésica coleta
O poeta que traz às margens a própria fome
Extingue a febre que lhe é concreta.
É vasta oferta
É fé, alerta
Em meu ventre
Um obstáculo.
Observa-me reluzir em tua pele
Enquanto me descobres anestésica coleta
O poeta que traz às margens a própria fome
Extingue a febre que lhe é concreta.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
LEGÍTIMA (in)DEFESA
Quero tomá-lo
Percorrê-lo em guerrilha de mouro
Quero roubá-lo acerca de ti
- De teu próprio ouro -
Mas não quero
Querer-te
Em vias de latrocínio
Só em último caso
Te redimo e descarto
Com um único tiro.
Percorrê-lo em guerrilha de mouro
Quero roubá-lo acerca de ti
- De teu próprio ouro -
Mas não quero
Querer-te
Em vias de latrocínio
Só em último caso
Te redimo e descarto
Com um único tiro.
DA POSSESSÃO E DO DESAPEGO
Estamos
À beira
De um ataque
De termos.
Teremos
Nós
O devido
Tempo
De verbalizar
O dito
Efêmero?
Eu tenho.
À beira
De um ataque
De termos.
Teremos
Nós
O devido
Tempo
De verbalizar
O dito
Efêmero?
Eu tenho.
ARQUIPÉLAGO
O amor
Preconiza
O que sonha.
Raios não são de verter estrelas
- Entranhas -
Mas de merecer
A lua que corta os céus
De Noronha.
Preconiza
O que sonha.
Raios não são de verter estrelas
- Entranhas -
Mas de merecer
A lua que corta os céus
De Noronha.
DA LIMITAÇÃO DO AMOR E OUTRAS ABSTENÇÕES
Prometo de conter no olho
O que for de esmiuçar no verso.
Acaso te proponho
De ver o mar no sonho
Não navegar o imprevisto
Cego.
METALINGUAGEM
Este poema
É a garantia
De que mesmo lido
O amor é um código
Que nos livra do óbvio
Não do risco.
O que não foi dito nos olhos
Permanece em sigilo.
É a garantia
De que mesmo lido
O amor é um código
Que nos livra do óbvio
Não do risco.
O que não foi dito nos olhos
Permanece em sigilo.
SOBREVIDA
O amor é um parasita
- Trágico -
A debochar do próprio hospedeiro.
Hospitalize-o.
Tanto faz quem agoniza
O elo é um frágil
Descoberto na premissa.
Morrer de amor
É sobrevida.
- Trágico -
A debochar do próprio hospedeiro.
Hospitalize-o.
Tanto faz quem agoniza
O elo é um frágil
Descoberto na premissa.
Morrer de amor
É sobrevida.
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